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Capítulo 10 / Atenção

Hiperglicemia e suspeita de cetoacidose

Glicose alta ocasional acontece. Alguns sinais, porém, indicam uma situação grave que precisa de atendimento.

Para quem
Pessoas com diabetes, especialmente tipo 1, e cuidadores.
Texto editado em
26/10/2026 · ~4 min de leitura

Em poucas palavras

  • Hiperglicemia é glicose acima do alvo combinado; nem toda elevação é emergência.
  • Cetoacidose é uma complicação aguda grave ligada à falta de insulina.
  • É mais comum no tipo 1, mas pode ocorrer em algumas pessoas com tipo 2.
  • Vômitos, dor abdominal, respiração alterada, hálito frutado ou confusão pedem urgência.

Procure urgência imediatamente se houver

  • Vômitos persistentes ou incapacidade de manter líquidos.
  • Dor abdominal intensa.
  • Respiração rápida e profunda ou dificuldade para respirar.
  • Hálito com cheiro frutado.
  • Sonolência intensa, confusão ou desmaio.

Em emergência: SAMU 192. Saiba quando procurar ajuda

Separar o comum do urgente

Ver a glicose alta pode gerar ansiedade. Mas há uma diferença importante entre glicose acima do alvo — algo que acontece e se discute com sua equipe de saúde — e uma descompensação aguda, que exige atendimento imediato. Este guia ajuda a reconhecer essa diferença, sem substituir o seu plano.

Quando a glicose sobe

Infecções, febre, estresse, menstruação, corticoides, mudanças de rotina, falhas no uso do tratamento, insulina armazenada de forma inadequada ou problemas em bombas e cateteres podem elevar a glicose. Sede, urinar muito, boca seca, cansaço e visão embaçada são sinais comuns.

Glicose persistentemente elevada ao longo de semanas ou meses aumenta o risco de complicações crônicas, e por isso o plano é revisto com sua equipe de saúde. Já a elevação súbita acompanhada de mal-estar pode ser sinal de algo agudo.

O que é cetoacidose

Sem insulina suficiente, as células não conseguem usar a glicose. O corpo passa a quebrar gordura de forma acelerada e produz cetonas, substâncias que, em excesso, tornam o sangue ácido. Isso é a cetoacidose diabética: uma emergência que precisa de tratamento em serviço de saúde.

Ela é mais frequente no tipo 1 — às vezes é como o diagnóstico acontece — e quando há falta ou falha na insulina. Também pode ocorrer em algumas pessoas com tipo 2, inclusive com certos medicamentos, e às vezes com glicose não tão elevada quanto se esperaria. Por isso, sintomas importam tanto quanto o número.

Cetonas: medir e entender

Cetonas podem ser medidas no sangue ou na urina, com fitas específicas. Sua equipe de saúde orienta quem deve ter esse recurso em casa e em quais situações medir — por exemplo, glicose alta persistente, doença ou sintomas. Resultados alterados, especialmente com mal-estar, pedem contato com sua equipe de saúde ou atendimento imediato, conforme o plano.

Este guia não indica doses de correção nem ajustes de insulina: isso faz parte de um plano individual, ensinado pela sua equipe de saúde.

Quando procurar urgência

Procure atendimento imediato — SAMU 192 no Brasil ou o serviço local de emergência — se houver vômitos persistentes ou incapacidade de manter líquidos, dor abdominal intensa, respiração rápida e profunda ou dificuldade para respirar, hálito com cheiro frutado, sonolência intensa, confusão ou desmaio. Em crianças, essa avaliação deve ser ainda mais rápida.

Você sabia?

Pode ser a primeira pista

Em algumas pessoas, a cetoacidose é a forma como o diabetes tipo 1 é descoberto.

Fonte: Centers for Disease Control and Prevention (CDC, EUA)

Cetonas são um sinal de alerta

Quando falta insulina, o corpo queima gordura e produz cetonas, que em excesso deixam o sangue ácido.

Fonte: Centers for Disease Control and Prevention (CDC, EUA)

Na prática

Sugestões gerais. Orientações individuais devem ser definidas por profissionais de saúde que acompanham você.

  • Pergunte se você deve ter fitas de cetona em casa e quando usá-las.
  • Tenha por escrito o limite combinado para ligar para sua equipe de saúde ou ir à urgência.
  • Prepare um plano para dias de doença antes de precisar dele.

O que a ciência sabe

O CDC descreve sinais de alerta e de emergência da cetoacidose diabética e orienta procurar atendimento imediato diante deles. Os Standards of Care da ADA (edição 2026) e a ISPAD recomendam educação específica sobre prevenção e reconhecimento da cetoacidose, especialmente no tipo 1 e em crianças.

Dúvidas frequentes

Perguntas para sua próxima consulta

Para levar aos profissionais de saúde que já acompanham você. O Diabetes em laços não oferece atendimento nem consultas.

  1. 1.“Quando devo medir cetonas, no meu caso?”
  2. 2.“Qual é o limite para ligar para sua equipe de saúde ou ir à urgência?”
  3. 3.“Meu tratamento tem algum risco específico de cetoacidose?”
  4. 4.“Como me preparar para dias de doença?”
  5. 5.“O que verificar se uso bomba de insulina?”

Informações educativas baseadas em fontes indicadas. Não substituem diagnóstico, atendimento ou orientação de profissionais de saúde. Em emergências, busque atendimento imediato. Brasil: SAMU 192.

Referências

Fontes usadas como referência temática. Elas não endossam este texto.

  1. [1]
    Diabetic Ketoacidosis (abre em nova aba)

    Centers for Disease Control and Prevention (CDC, EUA) · Material educativo

    https://www.cdc.gov/diabetes/about/diabetic-ketoacidosis.html

  2. [2]
    Standards of Care in Diabetes—2026 (abre em nova aba)

    American Diabetes Association (ADA) · Diretriz · fonte publicada/atualizada: 08/12/2025

    Edição 2026, publicada em 08/12/2025.

    https://professional.diabetes.org/standards-of-care

  3. [3]
    ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines (abre em nova aba)

    International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD) · Diretriz · fonte publicada/atualizada: 2024

    Coleção com capítulos publicados em anos variados.

    https://www.ispad.org/resources/ispad-clinical-practice-consensus-guidelines.html

  4. [4]
    Diabetes Overview (abre em nova aba)

    NIDDK — National Institutes of Health (EUA) · Material educativo

    https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview

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